1961
Em 11 de dezembro, nasce Luiz Carlos Cintra Gordinho de Carvalhosa, em São Paulo, filho de Margarida Cintra Gordinho e Carlos Barros de Carvalhosa. É o irmão do meio de Zita e Fernando Carvalhosa.
1977
Ingressa no colegial do Colégio Equipe, escola prestigiada pela valorização do pensamento crítico e criativo, celeiro de artistas e intelectuais.
Participa da Revista Papagaio, publicação em quadrinhos criada por alunos do Equipe e impressa na gráfica da escola, com três edições publicadas até 1979.
1980
Ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Inicia o estudo de gravura em metal no ateliê de Sérgio Fingermann, que frequenta até 1982, junto de Antônio Malta, Fabio Miguez, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade, futuros parceiros no ateliê Casa 7.

1982
Forma o ateliê Casa 7, em São Paulo, junto de Fabio Miguez, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade, colegas do Colégio Equipe. A Casa 7 ocupou um espaço muito significativo no movimento de retorno à pintura no Brasil, na década de 1980.
1983
Participa do 16ª. Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, ao lado dos demais integrantes da Casa 7. Na Casa 7, produz painéis de abstrações geométricas, em esmalte sintético sobre papel kraft de grandes dimensões, expostos fora do chassi [p. 101].
1984
Além dos painéis, realiza pinturas de figurações abstratas em óleo sobre tela. O uso de materiais precários e acessíveis, bem como a gestualidade da pintura, são aspectos marcantes desse período. Participa da exposição coletiva Arte na rua 2, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), que exibe pinturas em outdoors publicitários espalhados pela cidade. Exposição Pintura, no Centro Cultural São Paulo (CCSP): primeira mostra coletiva dos artistas da Casa 7, junto de Sérgio Fingermann. Participa do 47º. Salão Paulista de Belas Artes e do 7º. Salão Nacional de Artes Plásticas. Prêmio Aquisição do 2º. Salão Paulista de Arte Contemporânea, com a obra A bela máquina, incorporada ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo [p. 105]. Na FAU USP, desenvolve um projeto de iniciação científica sobre “Off-set e linguagem gráfica”. No trabalho de conclusão de curso, analisa elementos do design e as relações tipográficas da Bauhaus. Gradua-se em Arquitetura e
Urbanismo pela FAU USP.
1985
Na Casa 7, desenvolve pinturas expressivas, de pinceladas fortes e estruturadas por manchas cromáticas que complexificam o espaço pictórico, em óleo sobre tela [pp. 106–07]. Exposição Casa 7 no (MAC USP) e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), sob curadoria de Aracy Amaral. Participa do 8º. Salão Nacional de Artes Plásticas. Prêmio Aquisição do 3º. Salão Paulista de Arte Contemporânea. Participa da 18ª. Bienal Internacional de São Paulo junto dos demais artistas da Casa 7, com pinturas apresentadas no espaço conhecido como “Grande Tela”, sob curadoria de Sheila Leirner. Polêmica, a expografia justapõe pinturas de diversos artistas reunidos à revelia sob o rótulo de “neoexpressionistas”. As obras são fixadas quase sem intervalos, resultando em um corredor contínuo de obras que, dessa forma, ficam pouco distinguíveis entre si.

1986
O desenvolvimento dos trabalhos gera um momento de ruptura criativa entre os integrantes da Casa 7, que passam a atuar de forma mais individualizada. Carvalhosa passa a utilizar a encáustica como material de pintura, em painéis monocromáticos. A mistura de cera e terebentina, com pouco pigmento, permite a criação de obras ricas em camadas matéricas e texturas, privilegiando a cor e a transparência da cera [pp. 113–15]. Participa do 4º. Salão Paulista de Arte Contemporânea. Expõe na 2ª. Bienal de Havana, em Cuba, e na Bienal Latino-Americana de Arte sobre Papel, em Buenos Aires, Argentina. Prêmio de Viagem ao Exterior no 9º. Salão Nacional de Artes Plásticas.
1987
Fim da Casa 7, com a demolição da vila que abrigava o ateliê. Projeta e começa a construção de uma casa com ateliê na rua Simpatia, na Vila Madalena, em São Paulo. Segue realizando pinturas com encáustica monocromática sobre madeira. A cera derretida e diluída é trabalhada com espátula ou com os dedos, através de operações que marcam a matéria ao mesmo tempo que expandem o espaço pictórico [pp. 118–21]. Expõe na Bienal de Cuenca, Equador. Primeira exposição individual, Pintura com cera, na Galeria Subdistrito Comercial de Arte, em São Paulo, com texto de Lorenzo Mammì. Exposição Pintura, em que apresenta encáusticas monocromáticas, na capela de Santa Luzia, então pertencente à Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória.

1988
Adensamento da matéria pictórica e aumento da fragmentação plástica das pinturas em encáustica com o uso de pigmentos diversos. As obras policromáticas são compostas pela sobreposição de camadas, em um procedimento que remete à colagem, ao mesmo tempo que gera volume [pp. 122–25]. Submete pedido de bolsa ao Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (Deutscher Akademischer Austauschdienst — DAAD) para um estágio de residência artística na Alemanha.
1989
Recebe resposta positiva ao pedido de bolsa do DAAD. Realiza painéis horizontais de grande formato, em óleo, cera, pigmento e resina sobre madeira. Valendo-se das características contrastantes dos materiais, cria superfícies que ora refletem, ora absorvem a luz, sugerindo espaços secos e úmidos, trabalhados em composições gestuais [pp. 128–29]. Participa do 20º. Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), dedicado à pintura, sob a direção técnica de Denise Mattar. Exposição individual na Galeria Paulo Figueiredo, em São Paulo, e primeira exposição individual no Rio de Janeiro, na Galeria Funarte. Viaja à Alemanha, onde assiste à queda do Muro de Berlim.

1990
Fixa residência e ateliê em Colônia, Alemanha. Realiza desenhos com lápis a óleo e carvão e pinturas com cera e colagem. As pinturas com cera, menos matéricas do que as encáusticas anteriores, são feitas sobre uma tela fina como suporte e com mais óleo e pigmento na diluição da cera, de forma a valorizar o desenho sobre a materialidade da obra. A transparência do material propicia o recurso da colagem de impressos sob a cera, remetendo a procedimentos utilizados anteriormente [pp. 132–33].
1991
Cria obras em cera de dimensões reduzidas, em formato 30 × 30 cm, que será uma marca desse período [pp. 138–41]. As pinturas com cera ganham dimensão escultórica, com relevos e uso de materiais como argila e óleo incrustados, ao mesmo tempo que o tamanho do suporte diminui, na série denominada Dedinhos. Os relevos criados a partir de moldes de dedos do artista se projetam da tela e dão movimento às obras. Os materiais inseridos sob a cera, como bolhas de óleo e argila, provocam rasgos na superfície. A cera translúcida deixa ver o que guarda, e os volumes internos são parcialmente expelidos, conforme o material resseca ou se expande sob a ação do tempo. As cores e formas orgânicas sugerem a ação do corpo do artista nas obras, resultando no que chama de “pinturas feitas com meios da escultura” [pp. 142–47]. Exposição coletiva na Kunsthandlung Maeder, em Berlim.
1992
Experimenta novos formatos nas pinturas com cera, em suportes de 40 × 40 cm e 50 × 40 cm, para criar obras em que os dedos, em vez de se projetarem para fora, deixam rastros na cera, em baixo-relevo [pp. 148–49]. Retorna ao Brasil, depois de três anos de residência em Colônia, Alemanha. Primeira exposição no Brasil dos trabalhos produzidos na Alemanha, na Galeria Paulo Figueiredo, em São Paulo.

1993
Fixa ateliê na rua Simpatia, em São Paulo, na casa projetada por ele em 1988. Realiza grandes painéis de cera com argila, resina e óleo em formato 222 × 122 cm. Os painéis repetem o procedimento de isolar bolhas de óleo, argila, resina e cimento sob a cera translúcida, mas agora as placas são planas, voltadas para o interior [pp. 153–55].
1994
Segue realizando painéis de cera, agora também em formato 160 × 150 cm [pp. 156–57]. Participa da Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal de São Paulo, sob coordenação de Nelson Aguilar e curadoria de arte contemporânea de Agnaldo Farias. Exposição individual no Gabinete de Arte Raquel Arnaud, com uma série de pinturas em cera. Cria seu primeiro conjunto escultórico, chamado posteriormente de Ceras perdidas [pp. 158–63]. São peças ocas e retorcidas, feitas de cera, parafina e argila, que saem dos moldes sem estrutura e endurecem conforme esfriam, sustentadas pelo artista, medindo entre 60 e 170 cm. As Ceras perdidas inauguram um período especialmente dedicado à escultura, que vai de 1995 a 2002, quando o artista assume a tridimensionalidade já experimentada nos painéis de pinturas com cera.
1995
Participa de residência artística na Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (ESDI UERJ), onde cria esculturas da série Ceras perdidas e painéis de cera em formato 220 × 122 cm [pp. 150–51]. Primeira exposição de esculturas, reunindo as Ceras perdidas e pinturas com cera, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ) e no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Enquanto as esculturas se projetam como se saíssem dos quadros de cera, as pinturas são voltadas para dentro, formadas por camadas sobrepostas de cera, argila, cimento e pigmentos [pp. 164–65].

1996
Cria esculturas em porcelana branca, com peças produzidas em parceria com fábricas de louça sanitária. Trata-se de um desenvolvimento de seu trabalho escultórico anterior, resultando em peças ocas, que deixam ver seu interior através de furos redondos, presentes em todas, às vezes transpassados por tubos de porcelana. As peças têm formas complexas e ambíguas e superfície rugosa. A pintura branca reluz, de forma a ofuscar o olhar do espectador [pp. 174–79].
1997
No Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo, expõe esculturas em porcelana e monotipias em tinta a óleo sobre papel encerado, que, segundo o artista, funcionam como “espelhos” das esculturas. Expõe na Galería David Pérez McCollum, em Guayaquil, no Equador. Cria o troféu do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Expõe sua primeira obra efêmera na mostra coletiva Arte/Cidade 3, projeto de intervenção urbana sob curadoria de Nelson Brissac Peixoto, realizado entre 1994 e 1997 em São Paulo. A obra Vazador consiste em cinco blocos de massa asfáltica de grandes dimensões, dispostos no terreno das antigas Indústrias Matarazzo, em São Paulo [pp. 166–69].
1998
Realiza esculturas em gesso de médio formato, apresentadas pela primeira vez na 5ª. Semana de Arte de Londrina, no Paraná, junto a vidros pintados com o mesmo material, que rebatem as formas das esculturas. O gesso utilizado nos moldes das peças de porcelana é incorporado como material final pelo artista para conformar esculturas montadas em camadas, por sobreposição de planos que se encaixam [pp. 180–85].
1999
Primeiras exposições de peças de gesso efêmeras, de grandes dimensões, construídas dentro do próprio espaço expositivo e em relação com ele, incorporando o acaso produzido pelo material. O uso do gesso permite potencializar em escala o paradoxo entre massa e volume apresentado pelas peças de porcelana e, antes, pelas esculturas em cera. Exposição Duas águas, no Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia (MuBE), São Paulo [pp. 186–89], e no Paço Imperial, Rio de Janeiro.
2000
Residência artística no Europees Keramische Werkcentrum (EKWC), na Holanda. As peças em grés têm formas orgânicas e dimensões diminutas que destoam dos grandes blocos de gesso realizados anteriormente. Resultam do entrelaçamento de fios que formam uma trama complexa e delicada entre interior e exterior [pp. 190–201]. Exposição na Galeria Raquel Arnaud com Meia verdade, obra efêmera em gesso. Duas estruturas paralelas, levemente onduladas, conformam paredes sinuosas com um vão estreito entre elas, resultado da cisão com motosserra que divide ao meio a peça una. A escultura revela um interior diferente do exterior conforme é atravessada. O mesmo procedimento é replicado em outras obras desse período [pp. 204–09]. Instalação da escultura Malacara no Jardim da Luz, acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Publicação do primeiro livro monográfico, com organização de Lorenzo Mammì e textos de Rodrigo Naves e Alberto Tassinari, pela editora Cosac & Naify.

2001
Nascimento da primeira filha, Maria Stockler Carvalhosa, de sua relação com Mari Stockler. Exposição de Surda, obra efêmera em gesso, na 3ª. Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, que replica o formato de Meia verdade em escala ampliada. Exposição de Gibraltar, obra efêmera em gesso, na exposição coletiva internacional Côte à côte, no Centre d’Arts Plastiques Contemporains (Capc — Musée d’Art Contemporain) de Bordeaux (França), realizada com os mesmos preceitos de Meia verdade e Surda [pp. 204–09]. Expõe as esculturas realizadas na residência do EKWC ao lado de desenhos em gesso na Casa da Imagem, em Curitiba, junto de Fabio Miguez. No ateliê, cria monotipias brancas em óleo e gesso sobre papel.
2002
Muda-se com a família para o Rio de Janeiro, onde monta ateliê na rua Alice, em Laranjeiras. Apresenta sua primeira escultura em vidro óptico. Maluco beleza, em referência à música de Raul Seixas [p. 228], é exposta na coletiva A imagem do som, no Museu da Imagem e do Som (MIS), Rio de Janeiro. O projeto, idealizado por Felipe Taborda, teve oito edições (1998–2007) que homenagearam compositores brasileiros através da criação visual de artistas contemporâneos.
2003
Depois de quase sete anos dedicado especialmente à escultura, volta a pintar, agora utilizando espelhos como suporte. A pintura, realizada com graxa, parafina, gesso e pigmento, ocupa a área central da superfície, que é, então, prensada por uma placa de vidro transparente [pp. 222–27]. O espelho faz com que a pintura rejeite a bidimensionalidade ao interagir com o espaço e o espectador, e impede que ela se fixe em um plano definido. Exposição das pinturas em espelho da série Espelhos graxos, em referência à natureza da matéria pictórica que a compõe, na Galeria Raquel Arnaud, São Paulo.
2004
Vence o Prêmio Jabuti na categoria “Projeto/produção editorial”, em parceria com Arnaldo Antunes e Márcia Xavier, pelo livro Et eu tu. Exposição Casa 7, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), com curadoria de Guilherme Bueno. Residência como artista convidado no ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo (FIC), em Porto Alegre, onde produz uma série de gravuras em branco e preto, marcadas por formas geométricas.
2005
Nascimento de sua segunda filha com Mari Stockler, Cecília Stockler Carvalhosa. Exposição da obra efêmera em gesso Favor não tocar, no Centro Maria Antonia da USP. O bloco de gesso em formato irregular, suspenso por três colunas, foi construído no local, inclinado e abaixado até travar, contido pelo próprio espaço expositivo [pp. 210–13]. No ateliê, cria uma nova série de pinturas em espelho, com maior cobertura da superfície reflexiva, uso de cores vibrantes e inscrição de frases de efeito [pp. 234–37]. Exposição de espelhos pintados na Silvia Cintra Galeria de Arte, Rio de Janeiro. Cria a série Lentes, esculturas feitas de vidro óptico a partir do protótipo Maluco beleza, apresentado em 2002. As peças consistem em formas curvas, côncavas e convexas, coladas umas sobre as outras, em diferentes composições e diâmetros, conformando instrumentos ópticos de função indefinida [pp. 230–31].

2006
Exposição de Já estava assim quando eu cheguei, escultura efêmera em gesso, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), dentro do Projeto Intervenções. Trata-se de uma reprodução do Pão de Açúcar, invertido e suspenso do teto. A paisagem vista das janelas do museu é trazida para dentro do foyer, como um souvenir ou uma projeção [pp. 214–19]. Expõe Já estava assim quando eu cheguei na mostra Paralela, na Oca do Ibirapuera, em São Paulo, mostra de arte contemporânea paralela à Bienal Internacional de São Paulo, sob curadoria de Daniela Bousso. No ateliê, segue pintando sobre espelhos.
2007
Realiza pinturas com tinta spray, parafina e gesso sobre espelho. A pintura com spray coincide com a relevância internacional alcançada pelos grafiteiros brasileiros e resulta em formas fluidas e dinâmicas, feitas em cores vibrantes, que interagem com o espaço. Exposição Fora da casinha na Silvia Cintra Galeria de Arte, no Rio de Janeiro. Apresenta Flor e espinho [p. 41], primeira obra em que utiliza recursos sonoros associados ao aspecto plástico, na exposição coletiva A imagem do som, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, sob curadoria de Felipe Taborda. A obra consiste em uma pintura sobre espelho cuja metade da superfície é pintada de preto fosco, enquanto a outra se mantém reflexiva. A partir do espelho se ouve a música homônima da obra, em uma montagem que sobrepõe a versão normal à tocada ao contrário.
2008
Participa do Projeto Parede do MAM-SP com a instalação Quem vê pensa, que recobre o corredor de entrada do museu com espelhos pintados, paralelos, fazendo o lugar ser dissolvido pela experiência da ilusão do “espelho infinito”. Realiza a primeira instalação com uso de tecido não tecido (TNT), lâmpadas fluorescentes e recursos sonoros como forma de intervenção no espaço. A obra Apagador é montada na capela do Solar do Unhão, sede do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), a partir do edital “Arte e Patrimônio”, da Funarte, com texto de Fernando Cocchiarale. O recurso visual do TNT, que recobre as paredes, janelas e portas dos ambientes, gera a percepção de apagamento do prédio e da paisagem do entorno, desfazendo a relação do espectador com o lugar. A intervenção sonora, que inclui a participação de Arto Lindsay, reproduz os sons de uma sala na outra, reforçando a sensação de deslocamento [pp. 246–47]. Adota os recursos de cobrir os espaços com TNT e lâmpadas fluorescentes associados a dispositivos sonoros, a que denomina “apagadores”, em exposições com montagens distintas, no Solar do Barão, em Curitiba (Meus olhos), no Paço Imperial do Rio de Janeiro (Estou lá) e nas galerias Millan e Raquel Arnaud, em São Paulo (Faz parte). A repetição dos dispositivos sensoriais em lugares diferentes impossibilita a semelhança diante da mesma experiência. No ateliê, realiza uma série de monotipias em óleo sobre papel encerado e segue pintando sobre espelhos.
2009
Montagem de Você tem razão, primeira instalação utilizando antigos postes de luz suspensos, na exposição coletiva Experimentando espaços, sob curadoria de Agnaldo Farias, no Museu da Casa Brasileira (MCB), em São Paulo. Os postes instalados na área externa do museu provocam a relação entre paisagem e arquitetura ao criar uma linha de horizonte no ar, com faixas pintadas de branco na extremidade dos postes [pp. 266–67]. No ateliê, produz uma série de pinturas sobre tecido [pp. 244–45] e continua pintando sobre espelhos [pp. 240–41].
2010
Exposição Roteiro para visitação, no Palácio da Aclamação, em Salvador, parte do Programa Ocupas, promovido pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, com texto de Daniel Rangel. Uma árvore suspensa no saguão de entrada, postes de madeira e centenas de pontaletes de eucalipto ocupam os ambientes do edifício em estilo neoclássico, construído no século 19, e provocam na própria arquitetura o reconhecimento de elementos tirados de seu contexto [pp. 268–69]. Ativação sonora de Arnaldo Antunes [pp. 268–69]. Participa do Clube de Gravura do MAM-SP com a obra Regra de dois, que consiste em uma placa de alumínio percutido com pequenos relevos na superfície. Trata-se da primeira obra do artista utilizando o alumínio como suporte. Realiza a primeira instalação apenas com lâmpadas fluorescentes, Melhor assim, no espaço cultural Soso+, em São Paulo, com curadoria de Daniel Rangel [pp. 296–97]. No ateliê, começa a utilizar alumínio espelhado como suporte de pinturas. Instalação A soma dos dias, com participação do compositor norte-americano Philip Glass, como parte do Projeto Octógono Arte Contemporânea, realizado no Octógono da Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob curadoria de Ivo Mesquita. A obra consiste em uma estrutura espiralar feita em TNT que envolve todo o espaço, de onde pendem gravadores e alto-falantes que captam e reproduzem os sons do ambiente [pp. 254–59].
2011
Instalação Sum of Days, com participação de Philip Glass, no átrio do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, sob curadoria de Luis Pérez-Oramas e Geaninne Gutiérrez-Guimarães. Trata-se de uma remontagem da obra exposta na Pinacoteca de São Paulo, adaptada ao espaço do MoMA [pp. 260–61]. Instalação Regra de dois, na Fundação Eva Klabin do Rio de Janeiro, parte do Projeto Respiração, sob curadoria de Márcio Doctors. Na obra, Carvalhosa utiliza copos de vidro, lâmpadas fluorescentes, postes e árvores suspensas para reconfigurar a experiência do espectador com o espaço expositivo [pp. 298–99]. Exposição Lugar comum, na Casa de Cultura Laura Alvim, Rio de Janeiro, sob curadoria de Fernando Cocchiarale, composta por pontaletes de eucalipto, alumínio percutido, lâmpadas fluorescentes e pinturas sobre alumínio espelhado. Exposição Qualquer direção na Galeria Silvia Cintra+Box4, Rio de Janeiro [pp. 294–95]. Publicação do segundo livro monográfico, Nice to Meet You, pelas editoras Charta e Cosac & Naify, com organização e projeto gráfico do artista e textos de Arto Lindsay, Beatriz Bracher, Ivo Mesquita, João Bandeira, Juliana Monachesi, Luis Pérez-Oramas, Paulo Herkenhoff e Paulo Venancio Filho. No ateliê, começa a realizar pinturas monocromáticas sobre alumínio [pp. 286–93].

2012
Recebe diagnóstico de câncer metastático. Inaugura ateliê na rua Frolick, em São Cristóvão, Rio de Janeiro, projetado pelo artista. Expõe a obra Vulgo na 11ª. Bienal de Havana em Cuba, que consiste em uma estrutura de TNT instalada na entrada do Gran Teatro de La Habana. A instalação conta com a ativação sonora do pianista cubano Juan Piñera [pp. 262–63]. Realiza a exposição Shift, na Sonnabend Gallery, em Nova York, EUA. Participa da St. Moritz Art Master, na Suíça, com a instalação Bulbs End, na Chesa Planta Samedan, sob curadoria de Reiner Opoku. No ateliê, retoma a série Espelhos graxos e segue pintando sobre alumínio.
2013
Exposição Sala de espera, na inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), sob curadoria de Tadeu Chiarelli. A instalação, planejada desde 2010 e adiada por conta de atrasos nas obras do museu, consiste na ocupação do hall central com postes de iluminação pública dispostos horizontalmente, que formam um emaranhado em equilíbrio suspenso com as colunas do espaço, gerando uma sensação de invasão do museu pela paisagem do entorno [pp. 272–73]. Exposição Sala de espera na Kukje Gallery, em Seul, Coreia do Sul. Participa da exposição 30x Bienal, com curadoria de Paulo Venâncio Filho, que reúne artistas e obras participantes da representação brasileira nas bienais de São Paulo entre 1951 e 2021.
2014
Realiza a ativação sonora Rio no MoMA de Nova York, como parte da exposição dedicada à obra de Lygia Clark. Trata-se da impressão do texto do livro Meu doce rio, escrito por Clark em 1975, em uma fita de 360 metros passada de mão em mão, enquanto o público a lê simultaneamente, criando uma polifonia. Exposição Possibility Matters, na Sonnabend Gallery, em Nova York, EUA [pp. 276–77]. Exposição Precaução de contato, na Nara Roesler, em São Paulo [pp. 300–01]. No ateliê, cria pinturas com ponta- -seca sobre alumínios monocromáticos empastados com cera e pigmento azul e vermelho [pp. 302–07].
2015
Cria uma série de esculturas em madeira a partir de seções dos postes de iluminação pública utilizados em instalações desde 2009. As peças feitas para serem fixadas nas paredes simulam seu atravessamento, como os postes nas exposições [pp. 264–65]. Exposição Casa 7, sob curadoria de Eduardo Ortega, na Pivô Arte e Pesquisa, em São Paulo, parte do Programa Fora da Caixa. No ateliê, amplia o leque cromático utilizado nos monocromos sobre alumínio.

2016
No ateliê, realiza pinturas monocromáticas utilizando alumínio espelhado como suporte [p. 305].
2017
Retoma a cera como matéria pictórica, em quadros que repetem o formato 30 × 30 cm utilizado na Alemanha entre 1991 e 1992. As pinturas em cera possuem relevos que remetem a dedos, mas agora sem a inserção de outros materiais sob a cera, resultando em um suporte estável, sobre o qual o artista pinta figuras geométricas com tinta a óleo. As obras são montadas em caixas de acrílico [pp. 326–31]. Cria pinturas com cores diversas utilizando o alumínio como suporte. Instalação Linha de sombra, com postes de madeira, no Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia, em São Paulo, parte da exposição Pedra no céu, sob curadoria de Cauê Alves. Exposição Faço tudo para não fazer nada, na Nara Roesler, em São Paulo, com texto de Maria do Carmo Pontes.
2018
No ateliê, realiza pinturas sobre alumínio e passa a conformar conjuntos de quadros de cera feitos a partir de moldes, pintados com motivos geométricos coloridos, chamados de Esquemas. Os conjuntos são formados por dois a dezesseis quadros, numa composição que inclui áreas de respiro entre eles [pp. 335–43]. Exposição Há sempre uma terceira vez, no pavilhão que abriga a coleção de Fernanda Feitosa e Heitor Martins, em São Paulo, sob curadoria de Maria do Carmo Pontes.
2019
Exposição Comércio das coisas, na Galeria Silvia Cintra+Box 4, Rio de Janeiro. Exposição I Want to Be Like You, Nara Roesler, Nova York, EUA. Instalação permanente da obra Já estava assim quando eu cheguei no Sesc Guarulhos. No ateliê, passa a intervir em obras de 2014 e 2015, acrescentando motivos geométricos sobre pinturas de ponta-seca em alumínio.
2020
Realiza a obra em cerâmica A disciplina do sexo, em parceria com a Bordallo Pinheiro, de Portugal. No ateliê, segue pintando Esquemas de óleo sobre cera. Durante a pandemia de covid-19, que impõe especial prudência devido a seu estado de saúde, mantém-se em isolamento junto à família
2021
No ateliê, realiza pinturas sobre alumínio e Esquemas de óleo sobre cera. Projeta a instalação de longa duração Área de propriedade, na FAMA Campo (Fábrica de Arte Marcos Amaro, Mairinque, SP). Em tratamento médico intensivo, muda-se para São Paulo com a família. Começa a organizar seu arquivo pessoal de cadernos e documentos. Falece no dia 13 de maio, em São Paulo, aos 59 anos. Criação do Acervo Carlito Carvalhosa, por iniciativa da família.

2022
Exposição Carlito Carvalhosa: Matter as Image. Works from 1987 to 2021, na Nara Roesler, Nova York, EUA, com curadoria de Luis Pérez-Oramas em colaboração com o Acervo Carlito Carvalhosa. Exposição Linhas do espaço tempo, no Instituto Ling, em Porto Alegre, com curadoria de Daniel Rangel.
2024-25
Exposição A metade do dobro, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com curadoria de Luis Pérez- -Oramas, Paulo Miyada, Lúcia K. Stumpf e Ana Roman [pp. 64, 374–77]. Exposição A natureza das coisas, no Sesc Pompeia, em São Paulo, com curadoria de Daniel Rangel e Luis Pérez-Oramas e curadoria adjunta de Lúcia K. Stumpf [pp. 369–73].